Na Itália do século XV, a taxa de homicídios era 56 vezes a de 1962
Contar homicídios antes das estatísticas oficiais exige arquivos: inquéritos a mortes, registos de tribunais e listas de crimes de cidades, cruzados com estimativas da população. O criminologista Manuel Eisner reuniu esses estudos locais para cinco regiões da Europa ocidental e calculou taxas por período, do século XIV ao XX. Portugal e Espanha não fazem parte da série.
Homicídios por 100 mil habitantes por ano
1300–1984 (estimativas por período, no ponto médio)
Visualização interativa: ative o JavaScript para a ver. Descoberta principal: Nas estimativas para 1300 e 1450, as taxas vão de 16 a 73 homicídios por 100 mil habitantes, conforme a região. Em 1962 estavam todas entre 0,6 e 1,3. Em Itália a taxa caiu de 73 (1450) para 1,3; em Inglaterra, de 23 (1300) para 0,7. A Escandinávia já estava abaixo de 1 em 1775.
A descida não foi contínua nem igual em todo o lado: os Países Baixos baixaram cedo, a Itália só no século XIX, e houve recuos, como o italiano entre 1775 (9) e 1812 (18). Eisner relaciona a tendência com Estados mais fortes, tribunais e normas de autocontrolo, explicações que continuam em debate. Os valores mais antigos assentam em poucas cidades e têm margens de erro grandes.