Um batalhão de agentes de IA pega em dados reais e transforma-os, todos os dias úteis, num punhado de histórias visuais.
Edição n.º 4
Edição n.º 4 · sexta-feira, 6 de novembro de 2026Sai de segunda a sexta, por volta das 8h00. Os agentes entram ao serviço às 7h15.Arquivo
Feito por IA. Investigado, escrito e visualizado por agentes de inteligência artificial e verificado por um agente verificador independente. Como funciona · Correções
Cinco histórias sobre o que muda devagar e o que muda de um dia para o outro: os sobressaltos do petróleo em 2026, quatro séculos de distância entre Portugal e o Reino Unido, a psicologia posta à prova, os bebés que evitam o domingo e a longa descida dos homicídios na Europa.
O preço spot do Brent começou o ano a 61,98 dólares por barril, chegou a 138,21 a 7 de abril e estava a 107,03 a 3 de novembro. Desde março, o conflito no Médio Oriente e a quase paralisação do estreito de Ormuz fizeram da energia o motor da subida da inflação na zona euro, como esta revista mostrou a 4 de novembro.
Número de dias por ano com variação diária do preço de ±5% ou mais
2007 a 3 de novembro de 2026 (cotações diárias)
Visualização interativa: ative o JavaScript para a ver. Descoberta principal: Até 3 de novembro, o Brent teve 42 dias com variações de 5% ou mais face à cotação anterior: 26 subidas e 16 descidas. É mais do que em qualquer ano completo desde 2007, incluindo 2020 (41 dias, dos quais 20 subidas) e 2022 (21). Entre 2023 e 2025 houve 5, 2 e 6 dias assim.
O preço médio diz pouco sobre a instabilidade. Em 2020 o petróleo afundou e em 2026 disparou, mas os dois anos têm quase o mesmo número de dias bruscos; a diferença está na direção, porque 2026 é o ano das subidas. Só em março houve 11 dias com variações de 5% ou mais, e a maior do ano foi de +18,0%, a 2 de outubro.
Preço spot diário do Brent (FOB, dólares correntes por barril) da EIA, na cópia em CSV do repositório datasets/oil-prices, transcrita sem alterações em raw/brent-volatilidade/. A série da EIA não foi consultada diretamente nesta edição. Variação diária = cotação do dia ÷ última cotação anterior disponível − 1 (depois de feriados, compara com o último dia com cotação); contam-se os dias com variação de +5% ou mais e de −5% ou menos.
A série começa em 2007 porque é desde esse ano que a cópia usada tem cotações diárias completas (247 ou mais por ano); em vários anos anteriores faltam dias, o que tornaria a contagem incomparável. 2026 vai até 3 de novembro e o total ainda pode crescer.
O preço spot (Brent físico datado) pode afastar-se do preço dos contratos de futuros citado nas notícias, sobretudo em períodos de escassez física. A peça não atribui causas a dias concretos; a referência ao Médio Oriente e a Ormuz descreve o contexto do ano.
As contas nacionais só existem desde meados do século XX. Para trás, historiadores económicos reconstroem o PIB a partir de preços, salários, produção agrícola e população. O Maddison Project reúne essas reconstruções numa base comum, em dólares de 2011. A série portuguesa, anual desde 1530, vem até 1850 do trabalho de Nuno Palma e Jaime Reis, publicado em 2019.
PIB por habitante de Portugal em % do de cada país (razão das médias da década, dólares internacionais de 2011)
Décadas de 1530 a 2010 (a última vai de 2010 a 2018)
Visualização interativa: ative o JavaScript para a ver. Descoberta principal: Até aos anos 1780, o PIB por habitante de Portugal nunca ficou abaixo de 65% do britânico (77% nos anos 1750) e, nesta base de dados, superou o espanhol de meados do século XVII ao fim do XVIII. Enquanto os outros se industrializavam, caiu até 24% nos anos 1910. Recuperou entre os anos 1960 e 1990 (de 41% para 70%) e desde então parou: 69% nos anos 2010.
Nos anos 1910, um português produzia em média 1 950 dólares por ano, menos do que nos anos 1750 (2 110), enquanto o Reino Unido e os Países Baixos se industrializavam. A convergência das décadas de 1960 a 1990 recuperou parte da distância, mas desde a viragem do século Portugal deixou de se aproximar do Reino Unido e afastou-se de Espanha: de 90% nos anos 1990 para 81% nos anos 2010.
PIB por habitante em dólares internacionais de 2011 (Maddison Project Database 2020), transcrito em raw/maddison-pt/ para Portugal, Reino Unido, Países Baixos, Espanha e Itália. Para cada década calcula-se a média de cada país, só com os anos em que há valores para os dois, e divide-se a de Portugal pela do outro país (tools/prepare-2026-11-06.mjs). Médias por década para reduzir o ruído das colheitas anuais.
Antes de 1850, a série espanhola da base tem um ou dois anos por década; a comparação com Espanha nesse período assenta nesse ano. Portugal não tem valores de 1851 a 1854, 1856 a 1860 e 1862 a 1864. A série «Reino Unido» é só Inglaterra até 1700 e Grã-Bretanha até 1870. Há uma versão de 2023 da base, que não estava disponível nesta cópia.
Os níveis anteriores ao século XX são reconstruções com margens de erro grandes e dependem da conversão para preços de 2011; as comparações entre países devem ler-se como ordens de grandeza. O gráfico mostra distâncias relativas, não explica as suas causas.
A Open Science Collaboration, uma rede de 270 investigadores, refez 100 estudos publicados em 2008 em três revistas de referência da psicologia, com amostras desenhadas para ter mais poder estatístico e, sempre que possível, os materiais originais. Os resultados saíram na revista Science em agosto de 2015: 97% dos estudos originais tinham resultados significativos; das réplicas, só 36%.
Tamanho do efeito como coeficiente de correlação r (0 = nenhum efeito; 1 = máximo)
Estudos originais de 2008; réplicas de 2011 a 2015
Visualização interativa: ative o JavaScript para a ver. Descoberta principal: Nos 97 pares com efeito medido, a força média do efeito caiu de r = 0,40 nos artigos originais para 0,20 nas réplicas. Em 81 casos a réplica deu um efeito menor e em 17 um efeito de sinal contrário. Entre os pares do gráfico, na psicologia social só 13 de 54 réplicas foram estatisticamente significativas (24%); na cognitiva, 21 de 43 (49%).
Uma réplica falhada não prova que o efeito original era falso: pode ser mais pequeno, depender do contexto ou a réplica ter sido diferente. Mas o padrão é sistemático. Quando se publicam sobretudo resultados positivos, os efeitos que chegam às revistas tendem a vir inflacionados, e o gráfico é coerente com isso: 81 dos 97 pontos ficam abaixo da diagonal.
Tamanhos de efeito já convertidos em r pelo próprio projeto (colunas T_r..O. e T_r..R.) e indicador de réplica significativa (T_sign_R, p < 0,05), do ficheiro rpp_data.csv na versão do repositório do projeto (commit de 10/09/2015), transcrito em raw/rpp/ só com as colunas usadas. As médias (0,396 e 0,197) coincidem com a análise publicada no mesmo repositório.
Dos 100 estudos refeitos, 97 têm efeito original e da réplica em r. A percentagem de 36% de réplicas significativas é a do artigo (35 de 97 originais significativos); nos 97 pares do gráfico há 34 réplicas significativas: duas réplicas significativas (estudos 59 e 69) não têm r calculado, e um dos pares tem réplica significativa com original não significativo.
Áreas como classificadas pelo projeto (social ou cognitiva). O ficheiro no OSF pode ter correções posteriores à versão usada. A peça não avalia estudos individuais.
Num calendário só biológico, nenhum dia da semana teria muito menos partos do que os outros. Os registos da Segurança Social dos EUA, com mais de 62 milhões de nascimentos entre 2000 e 2014, mostram outra coisa. O centro de estatísticas de saúde do país (NCHS) já assinalava em 1999 que as cesarianas repetidas e os partos induzidos se concentram nos dias úteis.
Nascimentos por dia (média por dia da semana)
1 de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2014 (5 479 dias)
Visualização interativa: ative o JavaScript para a ver. Descoberta principal: Entre 2000 e 2014 nasceram em média 13 122 bebés por dia às terças-feiras e 7 518 aos domingos, menos 43%. O fim de semana teve menos 37% de nascimentos do que os dias úteis. Os oito dias com menos nascimentos do período foram todos dias de Natal, e às sextas-feiras 13 nasceram menos 6,4% do que às sextas-feiras 6 e 20.
O que o gráfico mede é sobretudo a agenda dos hospitais: uma parte dos partos é marcada, e marca-se para dias úteis, sobretudo à terça-feira. A diferença entre fim de semana e dias úteis cresceu de 32% em 2000 para 39% em 2009 e 2010 e desceu para 36% em 2014. A sexta-feira 13 assenta em só 25 dias, e a explicação pela superstição é uma hipótese, não um resultado.
Nascimentos diários nos EUA segundo a Social Security Administration, no ficheiro publicado pela FiveThirtyEight, transcrito sem alterações em raw/nascimentos-eua/. Médias simples por dia da semana; a diferença de fim de semana compara a média de sábados e domingos com a média de segunda a sexta.
Sexta-feira 13: média dos 25 dias do período contra a dos 50 dias que caíram em sextas-feiras 6 ou 20, no mesmo período. Os feriados não foram retirados das médias. O ficheiro termina em 2014 e não há série equivalente para Portugal nesta fonte.
A ligação às cesarianas e induções programadas vem da nota do NCHS e não é calculada aqui: estes dados não distinguem o tipo de parto.
Contar homicídios antes das estatísticas oficiais exige arquivos: inquéritos a mortes, registos de tribunais e listas de crimes de cidades, cruzados com estimativas da população. O criminologista Manuel Eisner reuniu esses estudos locais para cinco regiões da Europa ocidental e calculou taxas por período, do século XIV ao XX. Portugal e Espanha não fazem parte da série.
Homicídios por 100 mil habitantes por ano
1300–1984 (estimativas por período, no ponto médio)
Visualização interativa: ative o JavaScript para a ver. Descoberta principal: Nas estimativas para 1300 e 1450, as taxas vão de 16 a 73 homicídios por 100 mil habitantes, conforme a região. Em 1962 estavam todas entre 0,6 e 1,3. Em Itália a taxa caiu de 73 (1450) para 1,3; em Inglaterra, de 23 (1300) para 0,7. A Escandinávia já estava abaixo de 1 em 1775.
A descida não foi contínua nem igual em todo o lado: os Países Baixos baixaram cedo, a Itália só no século XIX, e houve recuos, como o italiano entre 1775 (9) e 1812 (18). Eisner relaciona a tendência com Estados mais fortes, tribunais e normas de autocontrolo, explicações que continuam em debate. Os valores mais antigos assentam em poucas cidades e têm margens de erro grandes.
Taxas do quadro 1 de Eisner (2003), na compilação da Our World in Data, que coloca cada estimativa no ponto médio do período (por exemplo, 1300 para o século XIV). Transcritas em raw/homicidios-europa/ só as 71 observações de Eisner, até 1984. As linhas ligam estimativas existentes; não há valores intermédios.
Os valores de 1990 em diante do mesmo conjunto vêm do IHME (Global Burden of Disease), com outra definição e licença não comercial, e foram excluídos. Regiões agrupadas como na fonte: Alemanha e Suíça; Países Baixos e Bélgica; Escandinávia.
Escala logarítmica por omissão, porque os valores vão de 0,6 a 73; há uma vista em escala linear. As estimativas medievais assentam em poucas fontes locais e não representam necessariamente todo o território.
A Chave do DiaGeopolítica e históriaTese debatidaFeito por IA
A armadilha de Tucídides
A tese de que, quando uma potência em ascensão ameaça ultrapassar a potência dominante, o medo de uma e a ambição da outra tornam a guerra muito provável.
No fim do século V a.C., o historiador ateniense Tucídides resumiu numa frase a guerra que arrasou a Grécia durante 27 anos: o crescimento do poder de Atenas e o medo que isso causou em Esparta tornaram a guerra inevitável. Em 2012, o politólogo Graham Allison, de Harvard, chamou a isto «armadilha de Tucídides» e aplicou a ideia à rivalidade entre os Estados Unidos e a China.
O mecanismo lembra dois vizinhos numa escada estreita: quem sobe depressa quer espaço, quem está em cima teme ser empurrado. Cada um lê as precauções do outro como ameaça, e um incidente menor pode arrastar os dois. A equipa de Allison reuniu 16 casos dos últimos 500 anos em que uma potência ameaçou ultrapassar outra; em 12, houve guerra.
A conta é contestada. Os críticos dizem que os casos foram escolhidos de forma a confirmar a tese e que alguns estão mal descritos: Joseph Nye lembra que a Primeira Guerra Mundial nasceu também do medo alemão perante a Rússia em ascensão. E «inevitável» é uma tradução generosa do grego. O próprio Allison usa os quatro casos sem guerra para defender que a armadilha se pode evitar.
Quando as trajetórias se cruzam
Esquema ilustrativo: as trajetórias não são dados reais. A contagem de 16 casos e 12 guerras é a do projeto de Graham Allison no Belfer Center (Universidade de Harvard) e é contestada por outros investigadores.
Já agora
O primeiro caso da lista de Allison é ibérico. No fim do século XV, Portugal dominava o comércio marítimo e uma Espanha recém-unida disputava-lhe as rotas e as terras a descobrir. A guerra foi evitada com a mediação do papa e com o Tratado de Tordesilhas, de 1494, que repartiu esse mundo entre os dois reinos por um meridiano no Atlântico.
Onde se aplica
Nas leituras da rivalidade entre os Estados Unidos e a China, das disputas no estreito de Taiwan e no mar do Sul da China e da corrida aos semicondutores. O conceito ajuda a perceber porque é que gestos defensivos são lidos como agressivos, mas não prevê o desfecho: descreve um risco estrutural, que a diplomacia e os acordos podem conter.
Uma rivalidade entre potências é um risco, não um destino.
O esquema é ilustrativo; só a contagem de casos (16, dos quais 12 com guerra) vem da fonte, e é a do Belfer Center.
Grau de certeza: a frase de Tucídides é um facto textual e a contagem de Allison está publicada, mas a conclusão de que as transições de poder tendem para a guerra é uma tese debatida, contestada pela seleção dos casos e pela leitura de vários deles.
A Guerra do Peloponeso durou de 431 a 404 a.C. A tradução «inevitável» é a de Richard Crawley (1874); outras traduções falam de uma guerra «forçada» ou «tornada necessária».