A inflação da zona euro mais do que duplicou desde janeiro — e a energia explica toda a subida
O Eurostat publica hoje a estimativa rápida de outubro. Antes dela, vale a pena decompor os números: a inflação homóloga da zona euro passou de 1,7% em janeiro para 3,8% em setembro, quase o dobro da meta de 2% do BCE. O conflito no Médio Oriente e a quase paralisação do estreito de Ormuz, desde março, levaram o Brent de 67 para 114 dólares por barril.
Contributos em pontos percentuais; inflação homóloga (IHPC) em %
Outubro de 2025 a setembro de 2026 (mensal)
Visualização interativa: ative o JavaScript para a ver. Descoberta principal: Entre janeiro e setembro de 2026 a inflação subiu 2,1 pontos (de 1,7% para 3,8%) e o contributo da energia subiu exatamente o mesmo, de −0,39 para +1,71 pontos. Sem energia, a inflação foi de 2,3% nos dois meses.
Serviços, bens industriais e alimentação somavam 2,06 pontos em janeiro e os mesmos 2,06 em setembro: não mexeram. É um choque concentrado num só componente, como no início de 2022, mas por agora sem contágio visível ao resto do cabaz — o que separa um surto passageiro de uma espiral. Portugal acompanhou: 1,9% em janeiro, 3,6% em setembro.